Enquadramento da Sessão no Congresso

A profissão médica vive hoje sob um escrutínio público sem precedentes, alimentado pela exposição mediática de processos disciplinares, pela erosão generalizada da confiança nas instituições e por uma sociedade cada vez mais exigente e informada (ou desinformada) sobre os seus direitos enquanto doentes. Neste contexto, a Ordem dos Médicos enfrenta um duplo desafio: continuar a garantir a autorregulação da profissão com rigor e independência, e simultaneamente demonstrar à sociedade que essa autorregulação é eficaz, transparente e ao serviço do interesse público e não um mecanismo de proteção corporativa. Esta sessão insere-se, assim, num congresso que discute o futuro da profissão médica, situando a disciplina e a deontologia não como temas administrativos ou punitivos, mas como pilares estruturantes da legitimidade social da Medicina.

Objetivo da Sessão

Refletir criticamente sobre o papel da função disciplinar e deontológica da Ordem dos Médicos na construção (ou reconstrução) da confiança pública na profissão, discutindo como os processos disciplinares, os códigos deontológicos e a atuação, em parceria, dos seus intervenientes, inclusive estruturas estatais, podem e devem funcionar simultaneamente como garantia de qualidade assistencial, proteção do doente e salvaguarda da autonomia profissional, evitando que sejam percecionados como opacos, corporativos ou desligados da realidade clínica.

Mensagem-chave desejada

A legitimidade social da Medicina não se defende com discursos corporativos, mas com uma disciplina exigente, transparente e credível: só uma Ordem que regula com rigor os seus próprios pares ganha autoridade moral para ser ouvida — e respeitada — pela sociedade que serve.